

A aprovação da Reforma Tributária na Câmara, o recuo do dólar, a melhora na confiança na economia e agora, mais recentemente, a notícia de uma deflação em junho. Todos esses elementos combinados corroboram a tese de que o início do ciclo de corte de juros está chegando.
Uma vez que a inflação esteja sob controle, o movimento seguinte, por suposto, é de que o Banco Central comece a reduzir a Selic, que agora está a 13,75% ao ano. No mercado, bancos e casas de análises já revisaram suas previsões e agora há quem veja a taxa básica de juros a 9,5% até o fim de 2023.
Como sempre, no mercado de capitais, ganha mais quem se antecipa e acerta nas apostas. Ao ver que os juros podem cair, os investidores voltam os olhares para ações que tendem a ser mais sensíveis a esse ciclo de cortes e que, claro, ganham em um momento de redução de taxas. Os índices de Small Caps já começam a reagir a esse movimento.
Empresas que estiveram com as margens pressionadas e sofreram desvalorização do mercado passam a ser vistas como oportunidades. No centro delas está o varejo, setor que teve perdas durante o ciclo de alta de juros. Além de ter os balanços prejudicados pelo alto custo de suas dívidas, as varejistas também enfrentaram um momento de alto endividamento das famílias e taxas de crédito que freavam o consumo.
Com a reversão do ciclo, em direção à queda, o cenário muda a favor dessas empresas. Ou pelo menos, é isso que se espera. Mas será que já é hora de deslocar capital para esses papéis? E quais seriam os mais indicados?
Entre os analistas ouvidos pelo Valor Investe, a recomendação é de cautela. A preferência é por papéis de varejistas voltadas para o público A, B, que costuma sentir menos o impacto da crise econômica e alta de juros. Vivara e Arezzo estão na lista de indicações para compras.
"O setor é muito sensível aos juros, e as empresas, em geral, se beneficiam da queda da Selic através da redução das despesas financeiras e a flexibilização do crédito para consumo das famílias. Neste momento, vemos que há oportunidades para o investidor capturar a possível queda de juros tendo uma parte do portfólio alocado nas empresas do varejo", diz Gabriel Costa, analista da Toro Investimentos.
Para Phil Soares, chefe de análise de ações da Órama, já é, sim, tempo de apostar no varejo, mas não qualquer ação. "Na virada de ciclo, Órama tem preferência por empresas com posicionamento mais premium, com nichos mais estáveis, com margem maior ou com endividamento menor. Não sejam as mais baratas da bolsa, que operem múltiplos razoáveis, mas sejam as primeiras beneficiadas no ciclo de queda. Estamos olhando bem de perto Arezzo e Vivara, esta última entrou para a carteira mensal de julho", afirma.
Não houve uma mudança significativa na escolha de alocação em comparação ao fim do ano passado, quando não havia previsão de cortes de juros e o novo governo ainda era uma incógnita. A preferência ainda é por papéis ligados à alta renda, como a Vivara, que teve alta de 33% no acumulado de 2023.
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