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                                                                                       16 de Fevereiro de 2018

Maior concorrência e consumo irão impulsionar antecipação de recebível

A competição entre adquirentes e a volta gradual do consumo tem aumentado a busca por antecipação de recebíveis. Com queda significativa de juros, as principais linhas da modalidade mais do que dobraram em dezembro passado contra igual mês de 2016.



Os últimos dados do Banco Central (BC) apontam que as concessões voltadas para desconto de duplicatas atingiram R$ 30,601 bilhões em dezembro do ano passado, valor 121,4% maior do que o visto no mesmo período de 2016 (R$ 13,816 bilhões).

Ao mesmo tempo, o crédito para antecipação de faturas de cartão subiu 455% na mesma base de comparação, de R$ 2,384 bilhões para R$ 13,250 bilhões.

De acordo com o professor de economia do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), João Ricardo Costa, tanto a recuperação da atividade econômica como o menor risco do produto têm impulsionado essas linhas.

“Mesmo com a retomada lenta e sem o total repasse da queda da Selic [taxa básica de juros], já vemos diversos indicadores de consumo e renda das famílias que tornam o ambiente mais favorável e deixam as empresas confortáveis para optar por esse tipo de crédito”, explica Costa.

Ainda segundo os dados recentes do BC, ambas as linhas tiveram recuos significativos nos juros cobrados pelo sistema financeiro. As taxas para desconto de duplicatas foram de 31,3% em dezembro de 2016, para 17,9% em igual mês do ano passado, queda de 13,4 pontos percentuais (p.p.).

Já a antecipação de faturas de cartão registrou queda de 24,6 p.p. nas taxas de juros média, de 43,5% para 18,9% na mesma relação.

Para o CEO da Equals, Marcelo Garcia, além do movimento da Selic – que foi de 14,25% ao ano (a.a.) em 2016, para os atuais 6,75% a.a. –, a entrada de novos players no sistema financeiro nacional também tem influenciado a redução dos juros nessas modalidades.

“Cerca de 50% a 60% do faturamento das adquirentes de cartões corresponde à antecipação de recebíveis. Isso somado à entrada de novos players tem trazido uma competitividade muito grande ao mercado”, afirma o executivo.

O CEO da Equals, Marcelo Garcia, pondera que, do lado das empresas, a necessidade de um parcelamento maior – tendo em vista a menor renda mensal das famílias – também corrobora pela busca de prazos maiores nos empréstimos.

Segundo o BC, enquanto o prazo médio da linha de desconto de duplicatas foi de 2,1 meses em dezembro de 2016, para 2,3 meses no ano passado, o prazo para antecipação de faturas foi de 1,7 mês para 3,7 meses na mesma relação.

“Além do cenário de concorrência cada vez maior, Selic estável e demanda crescente, as vendas ainda prolongadas também traçam a tendência de destaque dessas linhas ao longo de 2018”, completa Garcia.

Consolidação

Além disso, principalmente no que diz respeito às micro, pequenas e médias empresas – as quais ainda enfrentam restritividade no acesso ao crédito bancário, a antecipação de recebíveis como alternativa para capital também deve crescer.

“Esse movimento será constante para os pequenos empresários. Os clientes, que antes antecipavam R$ 4 milhões ao mês, projetam rodar R$ 25 milhões. O número é muito significativo e, para aqueles que têm um curto ciclo de capital, faz muita diferença”, diz o CEO da Antecipa, Camilo Telles.

Já em relação aos financiamentos de prazo maior – que inclusive têm sido a aposta dos grandes bancos para este ano –, os executivos entrevistados pelo DCI reforçam a necessidade de consolidação mais forte da economia para que a migração da demanda para essas modalidades aconteça.

“A antecipação de recebíveis deve se fortalecer neste ano, mas linhas de prazo maior ainda podem demorar um pouco mais para ter fôlego, já que nenhuma empresa opta por empréstimos maiores sem saber o dia de amanhã”, opina Costa.

“O consumo demora a refletir na escolha do empresário porque as famílias ainda estão endividadas. Mesmo que os cenários macroeconômico e político não influenciem diretamente, é preciso uma percepção melhor do lojista para que o mercado de crédito se fortaleça”, conclui Garcia.

“A recuperação, porém, acontecerá. Não será vigorosa, mas com certeza será suficiente para começar a solidificar a economia”, acrescenta Costa.

DCI - Diário Comércio Indústria & Serviços


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